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Catalão

Projeto ensina francês e promove a diversidade cultural

Aprender uma língua estrangeira é também aprender sobre a cultura de um povo

Catalão

Texto e fotos: Fábio Gaio

Um projeto sobre o ensino da língua francesa voltado para a capacitação de técnico-administrativos em educação, da Regional Catalão (RC) da Universidade Federal de Goiás (UFG), aberto também a estudantes e comunidade externa, tem ultrapassado o simples aprendizado e a fluência na língua, por  mergulhar nos aspectos sociais, culturais e históricos de povos africanos que têm o francês como língua oficial ou como segundo idioma ensinado em escolas. Dois professores, Alexandre António Timbane, de Moçambique, e Omar Ourosalim, do Togo, país oficialmente chamado de República Togolesa, não apenas ensinam sobre suas culturas e a língua francesa, mas também aprendem sobre a cultura e os costumes dos brasileiros, em um processo de troca de experiências que tem a linguagem como motivadora.

Para Omar, o fato de o francês ser uma língua latina, mesma origem da língua portuguesa, torna o aprendizado da língua francesa mais fácil. Para o professor, que está no Brasil há quase dois anos e é aluno do Mestrado em Gestão Organizacional, no começo algumas pessoas até podem pensar que é um idioma complicado e distante da realidade brasileira; no entanto, com o tempo e o contato com a língua, é possível perceber algumas aproximações entre francês e português. Para ele, a aproximação da língua e de outras culturas é sempre válida; e pelo fato de ser ensinada por professores africanos, é possível ter um olhar mais ampliado sobre a língua francesa, que é falada em pelo menos 30 países, boa parte deles na África, inclusive o Togo.

Com experiência no ensino do francês e atuando como professor de Linguística Forense na Academia de Ciências Policiais de Moçambique, Timbane está no Brasil ministrando aulas e orientando estudantes como professor visitante no Mestrado em Estudos da Linguagem. Com doutorado na área de Linguística, o professor explica que seu trabalho no Brasil não consistia inicialmente em ensinar a língua francesa; entretanto, ele, que atua também na Sociolinguística, na descrição de línguas bantu africanas e na Linguística Forense, considera o ensino do francês a sua grande paixão, atuando na área desde 2003. Para ele, estar na condição de professor visitante possibilita o contato com estudantes de culturas diferentes, da mesma forma que os alunos também conhecem os costumes africanos.

Timbane afirma que seu maior desafio ensinando no Brasil são os aspectos culturais, uma vez que a linguagem tem forte relação com a cultura e as palavras podem mudar de sentido de acordo com o contexto cultural, social e histórico. O docente reconhece o esforço e a dedicação da turma e acredita que não exista aluno que não seja capaz. “Eu me esforço para aplicar as metodologias necessárias, o aprendizado e a utilização de estratégias pedagógicas para diferentes públicos, faz parte da formação do professor”, avalia. Além disso, o sistema educacional brasileiro é diferente do moçambicano. Em seu país, conforme Timbane, o ensino é gratuito apenas até o nível fundamental. A partir do nível médio, além de pagar mensalidades, é necessário arcar também com a aquisição dos livros.

A professora responsável pela Coordenação de Pesquisa e Pós-Graduação da Regional Catalão, Maria Helena de Paula, idealizadora da proposta, explica que o Curso de Francês faz parte do Programa Inovar Ciência (PIC), coordenado por ela, desde maio de 2016. Com proposta de articular, pelo programa de extensão, ações que divulguem a ciência e a inovação feitas na Regional Catalão e oferecer possibilidades de formação para a comunidade acadêmica e externa, um curso de formação sólida em uma língua estrangeira é essencial para a divulgação científica. Segundo a professora fala-se muito em internacionalizar a pesquisa e a pós-graduação. Concorrer a editais, formação no exterior em centros de excelência, pesquisas e publicações internacionais, domínio de língua estrangeira são essenciais a professores e alunos. Contudo, o técnico-administrativo também deve ser incluído nessa política, porque ele é imprescindível nas várias formas de produção de conhecimento na Universidade. “As políticas de internacionalização dos programas de pós-graduação devem considerar a formação do técnico-administrativo que ali trabalha”, avalia.

Os resultados do projeto, que mistura o ensino da língua francesa e o aprendizado sobre novas culturas, já repercute de forma positiva na comunidade universitária. Welliton dos Reis Alves, técnico-administrativo da Regional Catalão, afirma que a didática utilizada pelo professor motiva e mantém o interesse da turma. Para Nicole Cardoso Soares da Silva, aluna do curso de Química, a curiosidade tem sido a grande motivadora para assistir às aulas, e o que parecia difícil tem se tornado mais fácil no decorrer do curso. Alessa Gomes Siqueira, membro da comunidade externa, pretende, após as aulas, se aprofundar mais no aprendizado do francês, até mesmo viajando para algum país que fale a língua francesa. A expectativa, segundo a coordenadora do projeto, é dar continuidade a esse e outros cursos em 2018: “Ante as demandas de formação de pessoal e consolidação da pesquisa na Universidade, é importante investir fortemente na formação de todos os envolvidos na produção e divulgação do conhecimento”, conclui.

Fonte : Ascom UFG

Categorias : Universidade edição 91

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