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ENTREVISTA: Informação como artefato para o desenvolvimento

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Publicação da Assessoria de Comunicação da Universidade Federal de Goiás 
ANO VII – Nº 59 – JUNHO – 2013

Informação como artefato para o desenvolvimento

Entrevista com Elaine Coutinho Marcial 

Texto: Júlia Mariano | Fotos: Matheus Geovane

Na era da informação,organizações investem no uso racional de dados para garantir vantagem competitiva.É a chamada Inteligência Competitiva, um processo que se baseia no monitoramento de informações disponíveis no mercado e na organização e difusão sistematizada de dados que sejam relevantes para uma organização. A utilização dessas informações visa gerar vantagem competitiva, redução de custos e aumento de receitas, pois auxilia na tomada de decisões  stratégicas. Elaine Coutinho Marcial atua na área de Estudos do Futuro e Inteligência Competitiva desde 1996 e já coordenou a construção de diversos cenários prospectivos e estudos de tendências e previsões. Ela é bacharel em Estatística, especialista em Cenários Prospectivos eInteligência Competitiva e mestre em Ciência da Informação pela Universidade de Brasília (UnB). É também associada fundadora e conselheira da Associação Brasileira de Inteligência Competitiva (Abraic). Ela esteve na UFG em maio, na VII Feira de Informação e Comunicação (VII Feicom), para ministrar uma palestra sobre Inteligência Competitiva (IC) e, na oportunidade, concedeu entrevista ao Jornal UFG.

Eliane Coutinho

Pensando no excesso de informações disponíveis na internet, você acredita que esse cenário contribui ou prejudica o processo de coleta de dados e a divulgação das informações para a consolidação da Inteligência Competitiva?

O volume de informação nesses ambientes é gigantesco. Se você não tiver um “sistema de  ineração de texto”, não conseguirá analisar tudo o que está ocorrendo ali, então o excesso de nformações atrapalha. É preciso subsidiar-se de ferramentas tecnológicas de “mineração”. Mas se você tem um profissional com essa habilidade de “minerar os dados”, essas informações podem, sim, trazer várias contribuições.

A Inteligência Competitiva pode ser utilizada por governos para solucionar problemas sociais ou econômicos?

Isso está crescendo muito. A França é um dos pioneiros na utilização de Inteligência Econômica, tendo, inclusive, criado um cargo junto ao primeiro ministro francês e promovendo o aumento da competitividade das organizações  rancesas. Essa necessidade emerge em função da criação da União Europeia, quando foi preciso garantir, principalmente, que os micro e pequenos empresários franceses mantivessem-se competitivos frente a empresários de outros países.

Aqui no Brasil temos algum exemplo?

Sim, o Sebrae. Já temos alguns casos de sucesso com pequenas empresas, mas não podemos classificar essa iniciativa como de Estado, a exemplo do Sistema de Inteligência Econômico existente na França e o que está em implementação na China, integrando, inclusive, os centros de pesquisa chineses. Eu desconheço ações como essas no Brasil. Podem até haver ações isoladas, mas eu somente conheço as ações do Sebrae e da Agência Brasileira de Promoção
de Exportações e Investimentos (Apex), que não são organizações do governo, apesar de receberem subsídios dele e desenvolverem um trabalho belíssimo junto a micro e pequenas empresas, produzindo informação quase que em consórcio, como é feito na França. O Sistema de Inteligência econômica não produz informação para uma empresa específica: ele produz para um setor e as pessoas se apropriam daquela informação no processo decisório, aumentando significativamente o retorno dessas organizações.

Como têm sido realizadas pesquisas acadêmicas no âmbito da Inteligência Competitiva? São pesquisas de cunho teórico ou prático?

Isso está crescendo, e muito. Estou fazendo doutorado nessa área para definir como está a Inteligência Competitiva em termos de pesquisa científica e para saber se ela pode ser considerada uma disciplina acadêmica ou não. Estou utilizando um modelo que analisa sob as óticas epistemológica, científica e prática, para classificar as pesquisas dentro dessas linhas. Percebi que temos pesquisas em três níveis: voltadas para questões epistemológicas, explicando o que é a Inteligência Competitiva e para que serve. Há muitas pesquisas no nível científico, já desenvolvendo, inclusive, novos métodos para a área. E há ainda pesquisas descritivas, para entendermos as características da Inteligência Competitiva, ou estabelecermos as relações entre as variáveis que a compõe e delas com os processos organizacionais. Em determinados segmentos da área, existem pesquisas bastante robustas e muitos estudos de caso, que contemplam o nível prático. Essa área, a partir do ano 2000 cresceu bastante no mundo todo, inclusive no Brasil, e o resultado da minha pesquisa vai mostrar inclusive quais são as universidades que têm mais desenvolvido pesquisas e publicações na área.

Você já pode indicar algumas instituições que têm pesquisas nessa área?

Eu ainda estou analisando os dados, mas posso citar a Universidade de Brasília, a Universidade Federal de São Carlos, a Universidade de São Paulo, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul e a Universidade Federal de Santa Catarina. Hoje, há universidades no Nordeste do Brasil publicando, assim como instituições na Região Sudeste, como a Universidade Federal de Minas Gerais, a Universidade Federal do Rio de Janeiro, a PUC do Rio e a PUC de São Paulo. Fora do país, uma das grandes descobertas é a China! Os chineses estão pesquisando o assunto no mundo todo. Outro achado muito interessante é em relação aos periódicos: há um predomínio de  ublicações em revistas na área de Ciência da Informação e Administração, [que são as áreas onde há a maior quantidade de publicações sobre esse tema fora] além das revistas que são específicas sobre Inteligência Competitiva. Mas entre as revistas, a que tem a maior quantidade de publicações de artigos científicos na área de Inteligência é uma revista de Ciências da  nformação da África do Sul. Mas há pesquisas sobre esse assunto no mundo todo: na Europa de uma forma geral, nos Estados Unidos, no Canadá. E isso significa que esses países estão pesquisando, pois valorizam essa prática.

 

Categorias : entrevista Inteligência Competitiva Elaine Coutinho

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