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Ataque da lagarta Helicoverpa armigera em Goiás é descoberto por Escola de Agronomia

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Publicação da Assessoria de Comunicação da Universidade Federal de Goiás 
ANO VII – Nº 59 – JUNHO – 2013

Ataque da lagarta Helicoverpa armigera é identificada em Goiás pela Escola de Agronomia

A praga com alto poder reprodutivo preocupa produtores de todo o País

Texto: Erneilton Lacerda | Fotos: Cecília Czepak

A produção agrícola do Brasil pode estar ameaçada pelo ataque de uma praga que já prejudicou a safra nos estados de Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Bahia, Piauí, Maranhão, Rio Grande do Sul e São Paulo: a lagarta Helicoverpa armigera. Até o momento, o valor estimado de perdas e custos do controle em todo o País é de R$2 bilhões. O trabalho de coleta da espécie realizado pela professora Cecília Czepak, da Escola de Agronomia da Universidade Federal de Goiás (UFG), e por estudantes da disciplina de Manejo Integrado de Pragas, permitiu identificar a lagarta em Goiás, em janeiro de 2013, em cultivos de soja da Fazenda Mutum, a 20 km do município de Palmeiras de Goiás. Esta foi a primeira vez que a espécie foi encontrada em território goiano, desde que começou a se alastrar, na safra 2011/2012.

lagarta soja

Plantação de soja completamente prejudicada pelo alastramento da lagarta. Cultivos de tomate e soja também estão entre os mais atingidos

 

Altamente agressiva e destrutiva, com grande mobilidade, alta capacidade de reprodução e ampla gama de hospedeiros, a Helicoverpa armigera era, até então, praga quarentenária no País. Isso significa que, mesmo estando sob controle permanente, a lagarta ainda constituía uma preocupação à economia agrícola brasileira. Polífaga, a Helicoverpa armigera se alimenta de folhas e caules, porém tem preferência por brotos, inflorescências, frutos e vagens. Essa variedade de alimentos consumida pela lagarta dificulta ainda mais o controle por parte de agricultores e órgãos da área. O que, a princípio, era somente ameaça, tornou-se realidade.


O alastramento da praga tornou-se tão preocupante que motivou o governo federal a publicar no dia 22 de abril, no Diário Oficial da União (DOU), medidas emergenciais de controle da lagarta. A Instrução Normativa (IN), produzida pela Secretaria de Defesa do Ministério da Agricultura, estabelece que os órgãos estaduais e distritais de Defesa Agropecuária adotem ações como: uso de cultivares (variedades da mesma espécie) que limitem ou eliminem as populações da lagarta para impedir o avanço da praga na próxima safra; sejam respeitadas as épocas da semeadura, restrição de cultivos subsequentes e o vazio sanitário, com o intuito de deixar o solo sem cultivo com períodos livres de hospedeiros.

Infestação

A praga já se espalhou por várias regiões goianas e, de acordo com a professora Cecília Czepak, propriedades rurais de 26 municípios ainda serão analisadas. Ela se mostra preocupada quanto às consequências da infestação, especialmente no cultivo de tomate, já que Goiás é o maior produtor nacional e também por esta ser considerada a “praga do tomate”, ainda que não afete essa cultura exclusivamente.
“O alastramento da praga teve início há mais tempo do que foi cogitado inicialmente, tendo em vista que foi relatada a incidência de surtos desta lagarta na safra passada de tomate.” O diagnóstico oficial, porém, ocorreu somente em 2013, o que prejudica o combate. “É um problema sério, pois se observa a perpetuação da praga, em um ciclo que não se quebra.”

 

danos no tomate

A infestação pode afetar o título de maior produtor nacional de tomate, pertencente a Goiás

 

Plano emergencial

Segundo a gerente de sanidade vegetal da Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa), Rossana Serrato, Goiás tem uma característica peculiar em comparação a outros estados afetados, como a Bahia, por exemplo: a cultura de entressafra. “Essa peculiaridade acaba exigindo outras medidas além das tomadas em outros locais. Em Goiás, estaremos mais focados no controle cultural.”


A Escola de Agronomia da UFG, juntamente com o Ministério da Agricultura, Secretaria Estadual de Agricultura, Embrapa e Agrodefesa, elaborou uma proposta para o enfrentamento da praga. De acordo com o documento, a universidade será responsável pelo trabalho de campo de coletar os focos, identificar as propriedades rurais afetadas e treinar os técnicos da Agência para a coleta de espécies.


Já a Agrodefesa fará o levantamento oficial do alastramento da praga e divulgará as medidas a serem adotadas. Os focos da lagarta recolhidos serão monitorados até à vida adulta por pesquisadores da Escola de Agronomia, e depois levados para a identificação, em dois laboratórios, no Rio Grande do Sul e na Bahia. “Queremos mapear a lagarta para descobrir em quais regiões de Goiás em que ela está”, explica a professora Cecília Czepak.

Prejuízos

A primeira forma de prejuízo é no bolso dos produtores, já que estão tendo que fazer aplicação dobrada de defensivos agrícolas e, consequentemente, dobrando os custos. Cecília Czepak esclarece: “Produtores de tomate para mesa, por exemplo, estão aplicando todos os dias, pois percebem que a lagarta está presente. Os produtores de tomate para processamento, por sua vez, aplicam a cada seis dias, diminuindo assim o intervalo da dose de aplicação”.


Ainda conforme a professora, o próprio meio ambiente tem sofrido as consequências de contaminação. Entretanto, a pior forma de prejuízo é em relação à saúde dos consumidores. “Como vai ser esse tomate que vai chegar à mesa? Temos um problema hoje, de contaminação do produto.” Nesse sentido, os danos causados pela infestação da Helicoverpa armigera atingem produtores, meio ambiente e consumidores, o que explica a preocupação de pesquisadores da área.

Mea-culpa

A professora Cecília Czepak não aponta culpados para que a Helicoverpa armigera tenha se alastrado tão rapidamente por Goiás. Ela defende, porém, que a comunidade acadêmica faça um mea-culpa pelos danos causados pela praga. “Nós pesquisadores demoramos demais para identificar o tipo da lagarta. Até o começo de 2013, achávamos que era a Helicoverpa Zea.”


Uma explicação para a infestação de pragas nas lavouras, diz a professora, é a ausência de vazio sanitário generalizado, em que se pararia de cultivar em um período do ano. “Em Goiás, temos ambiente propício para o desenvolvimento dessa lagarta pelas condições climáticas extremamente favoráveis. A irrigação, feita em época de seca, acaba mantendo o ciclo das pragas. Isso surge do fato que, no Brasil, temos essa história que não podemos parar de produzir. Se não houver um vazio sanitário generalizado, vai chegar um ponto em que não teremos como plantar nem colher”, critica.

 

Como controlar a praga

. Vazio sanitário - intervalo do cultivo nos períodos de seca

. Rotação cultural - alternância das espécies cultivadas

. Cultivares resistentes - utilização de variedades de uma mesma espécie

. Estratégias do Manejo Integrado de Pragas - inseticidas biológicos, parasitoides e predadores

 

 

Categorias : praga Helicoverpa armigera agricultura

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