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Ciência para detectar fraudes

Pesquisas da UFG unem Química, Matemática e Computação e criam metodologias para descobrir a autenticidade de produtos

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Camila Godoy e Giovanna Beltrão

A Universidade Federal de Goiás (UFG) uniu três ciências de peso para trabalharem juntas em uma nova metodologia capaz de descobrir a origem e os tipos de diversos produtos. Pesquisadores relacionaram conhecimentos da Química, da Matemática e da Computação e desenvolveram uma metodologia que permite, por exemplo, autenticar um alimento como orgânico ou convencional, determinar se um vinho é do Chile ou Brasil, qual uva foi utilizada em sua produção e até mesmo a origem de algumas drogas ilícitas apreendidas pela polícia. Os estudos têm bastante aplicabilidade e poderão auxiliar a segurança e evitar fraudes.

Criado em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), o método consiste no levantamento dos elementos químicos encontrados nos itens pesquisados, na identificação dos padrões quantitativos e qualitativos desses elementos e na utilização dessas informações como parâmetro para classificação de outros produtos a serem testados. É como se os químicos escolhessem um determinado produto e destrinchassem toda sua composição, gerando extensas tabelas com dados que a olho nu nada significam, mas que com recursos da Matemática e da Computação e seus algoritmos, podem determinar padrões desses produtos que poderão ser comparadas com os elementos detectados em futuras amostras.

De acordo com o professor do Instituto de Informática (INF) da UFG, Rommel Melgaço Barbosa, essa é a primeira vez que a ciência combina algoritmos e elementos químicos para classificar alimentos orgânicos. “Os laboratórios de química da USP fazem o levantamento dos dados e a equipe da UFG analisa”, explica. Segundo ele, o grupo aplicou o método em alguns alimentos produzidos de forma orgânica e outros de forma convencional, explicitando, assim, as características dos minerais presentes nos dois tipos. A análise desses elementos gerou uma fórmula capaz de diferenciá-los. Com isso, é possível evitar a falsificação de alimentos convencionais que são comercializados como se fossem cultivados sem agrotóxicos e fertilizantes químicos, produtos geralmente mais caros e de difícil identificação.

O método também foi aplicado em diversos rótulos de vinho. O grupo analisou os elementos químicos presentes em variedades da bebida produzida no Brasil, Argentina, Chile e Uruguai e traçou padrões que diferenciam os tipos de uva e o local de produção. “Quando analisamos os elementos de algum rótulo e comparamos com os padrões já encontrados, podemos detectar, por exemplo, se um vinho do tipo Cabernet Sauvignon é do Brasil ou do Chile. Como o vinho chileno é, em geral, melhor reconhecido do que o brasileiro, poderia ter falsificações no rótulo de origem”, afirma. O grupo trabalha também na classificação de vinhos da Califórnia.


Além dos vinhos, os pesquisadores aplicaram a metodologia em outros produtos e obtiveram resultados satisfatórios. O grupo conseguiu encontrar padrões e autenticar o arroz de Goiás e do Rio Grande do Sul e o mel de quatro regiões brasileiras. De acordo com o professor do INF, subsídios fiscais de determinados locais para esses produtos podem atrair falsificações no rótulo de origem.

 

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Parceria com a polícia


Os pesquisadores da UFG e da USP também estão trabalhando em parceria com a Polícia Civil do Estado de São Paulo para a identificação da origem de drogas ilícitas. O grupo tem analisado alguns comprimidos de ecstasy apreendidos pelos policiais. Como eles são produzidos de formas distintas e com variações de elementos, a análise dos componentes de cada um deles gera um conjunto de dados com as variáveis químicas correspondentes. Assim, quando novas apreensões ocorrerem, o grupo pode comparar a composição desses comprimidos com aqueles padrões. O próximo passo dos pesquisadores é detectar os tipos de ecstasy que estão sendo produzidos.

  

UFG desenvolve métodos de identificação de uísques falsificados

Outras metodologias criadas pela UFG têm auxiliado a polícia a identificar bebidas falsificadas. O Instituto de Química (IQ) da UFG utilizou amostras falsificadas cedidas pela Polícia Federal de Brasília para testar diversos métodos portáteis, de baixo custo, capazes de detectar adulterações na bebida. Os estudos, coordenados pelo professor Wendell Coltro, desenvolveram um método que permite a identificação da falsificação em menos de dois minutos, usando apenas uma gota de amostra. Os pesquisadores utilizam um equipamento para medir sinais elétricos que apresentam intensidades diferentes quando a amostra é original ou falsificada ou identifica a presença de novos sinais.

Em parceria com a Universidade Federal de Uberlândia (UFU), a Universidade de São Paulo (USP) e a Unidade Técnico-Científica da Polícia Federal de Uberlândia, os pesquisadores também desenvolveram um teste colorimétrico em papel, que consiste na busca por espécies químicas presentes nas amostras falsificadas e ausentes nos produtos autênticos, e que permite a determinação dos níveis de concentração de algumas substâncias, viabilizando a identificação rápida das amostras adulteradas.

Outra metodologia leva em consideração que as amostras são diluídas em água. Como a água de torneira tem cloro e flúor, o teste é feito por uma técnica chamada eletroforese em microchips. Segundo os pesquisadores, os uísques autênticos contêm concentrações baixas de cloreto e fluoreto e, por outro lado, o uísque adulterado apresenta concentrações elevadas desses dois íons. Se essas substâncias estiverem presentes em quantidades diferentes do padrão original, é um forte indício de que a amostra é adulterada.

 

Metodologia para verificar a origem e os tipos de produtos

Categorias : Pesquisa Edição 86

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