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Gelateratura

Democratização da leitura na UFG

Projetos estimulam o hábito da leitura por meio do acesso a acervos mantidos com apoio da instituição e também de voluntários

Luciana Gomides

Uma pesquisa divulgada em 2016 pelo Ibope, por encomenda do Instituto Pró-Livro, revela que 44% dos brasileiros não lê. 30% dos entrevistados nunca comprou um livro. Diante da missão de socializar o saber e o conhecimento, a UFG tenta mudar esses números por meio de uma série de ações com o objetivo de democratizar o acesso à leitura. É o caso dos projetos do Sistema de Bibliotecas (Sibi/UFG), da Faculdade de Educação e do curso de Biblioteconomia.


Semana Nacional do Livro e da Biblioteca


Composto pela Biblioteca Central (BC) e oito seccionais, o Sibi/UFG é um dos grandes estimuladores dos projetos de incentivo à leitura, apoiando e desenvolvendo propostas de relevância dentro da Universidade. Além de ações internas, como melhoria na estrutura da BC e campanhas de conservação de livros, são colocadas em prática iniciativas como o resgate das comemorações da Semana Nacional do Livro e da Biblioteca, realizada em outubro de 2016, onze anos após sua última edição na UFG.

 

Maria Silvério da Silva Siqueira, atual diretora do Sibi, destaca uma iniciativa que começou durante o evento: a Gelateratura. O projeto, idealizado pela Oficina Cultural Geppetto, já é conhecido pela população goianiense. “São geladeiras instaladas em terminais de ônibus e hospitais com o objetivo de compartilhar o material bibliográfico, de forma que a geladeira se sustente”, explica Maria. Trazê-lo para a UFG é parte de um projeto ainda mais interessante do que sua simples instalação.

 

Vivemos em uma comunidade baseada na vigilância e punição, o que precisa mudar. É necessário construir uma sociedade onde exista a confiança, e não penalidades - Adão Peixoto

 

Ao todo, foram adquiridas 13 geladeiras e dois frigobares. As tintas puderam ser compradas com renda proveniente das multas por devoluções em atraso. Para reformá-las, Sibi e Gepetto uniram-se na promoção de duas oficinas de pintura, envolvendo alunos de Artes do Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação (Cepae) e graduandos da Faculdade de Artes Visuais (FAV). Depois de prontos, os equipamentos foram distribuídos em 12 pontos da Universidade (confira no quadro).

 

Os livros da Gelateratura são doados pela BC e por voluntários (ou seja, você também pode doar), estando disponíveis aos alunos, aos servidores e à comunidade que frequenta os câmpus. Para a diretora do Sibi “no futuro, colheremos a diferença desse incentivo à leitura na capacidade crítica, de leitura e de vida do indivíduo”. A atual gestão pretende lançar novos projetos, como uma feira de troca de livros durante a próxima edição da Semana Nacional do Livro e da Biblioteca.

 

estante solidária

Projeto Estante Solidária está sendo desenvolvido na Faculdade de Educação

 


Estante Solidária

 

Não somente o incentivo à leitura mas, também, a mudança de atitude. Esse é o objetivo maior da Estante Solidária, projeto desenvolvido na Faculdade de Educação (FE) sob a orientação do professor Adão Peixoto. Idealizado a partir da observação de iniciativas presentes nos pontos de ônibus de Brasília, Campo Grande e Porto Alegre, o plano foi colocado em prática em outubro de 2016. Instalada no hall de entrada da FE, a estante dispõe de títulos dos mais variados temas, disponíveis para a comunidade interna e externa. Não é exigido que o interessado em fazer um empréstimo forneça dados pessoais ou se associe, sendo necessário, apenas, que retire o exemplar, anote o título e o devolva ao finalizar a leitura.

 

As estantes foram fabricadas no Centro de Gestão do Espaço Físico (Cegef) e o acervo vai sendo construído mediante doações de alunos e professores. Juliana Goulart, uma das alunas envolvidas no projeto, explica que o registro das retiradas servirá como fonte de levantamento de dados sobre os assuntos mais procurados pelos usuários. “Essa verificação facilitará a gestão do acervo, nos ajudando a ver quais títulos continuarão disponíveis e quais serão retirados”.

 

Karine Moraes, diretora da FE, recorda que a unidade possuía sua própria biblioteca, retirada há alguns anos. “Por isso, esse tipo de projeto é de grande valor para os alunos”, completa a docente. A diretora comenta ainda que a presença de alunos de cursos externos à Faculdade de Educação facilita a entrada de exemplares de temas diversos. No entanto, Karine lembra que, apesar da variedade de títulos, o intuito do projeto não é se tornar uma biblioteca, mas, sim, servir como incentivo à leitura, um programa de circulação e influência do hábito de ler. Segundo ela, entre os planos futuros para a Biblioteca Solidária está a otimização do espaço, tanto das prateleiras quanto da própria estrutura física, tornando-a mais confortável para seus usuários.


“Libris” para as crianças


Apaixonados por livros como são, alunos e professores do curso de Biblioteconomia pretendem plantar o mesmo fascínio nas crianças. O Laboratório do Livro, Leitura, Literatura e Biblioteca (Libris) tornouse referência na Universidade por seu ineditismo em trabalhar ações voltadas para o público infantil. Ao todo, são três bibliotecas congregadas, sendo elas as Bibliotecas Escolares Modelo do Departamento de Educação Infantil (DEI/UFG) e da FE, além da Biblioteca Infanto- Juvenil do Grande Hotel, fruto de uma parceria com a Secretaria Municipal de Cultura de Goiânia.

 

A Biblioteca Modelo tem como foco principal criar e implantar espaços referenciais para o Ensino Fundamental dos sistemas público e privado. Coordenado pela professora Maria das Graças Monteiro Castro, o projeto conta com acervo composto por 6 mil títulos de literatura infantil, informativos e teóricos. A docente Laura Vilela explica que a ideia é, a partir desse recurso, “organizar uma biblioteca que se torne referência para que os sistemas educacionais público e privado”.

 

São desenvolvidos critérios de implantação levando em conta estrutura física, técnica e organizacional, acervo, formação de professores e bibliotecários, além da promoção e mediação da biblioteca no contexto escolar. A fundamentação do programa está na premissa de que a biblioteca escolar deve posicionar-se no espaço pedagógico, atuando como difusora do conhecimento e centro dinamizador da leitura.

 

O Libris atua como comitê do Programa Nacional de Incentivo à Leitura (Proler) em Goiânia, por meio de convênio firmado com a UFG. O projeto tem também o apoio da instituição no fornecimento de bolsas de estágio e ações de promoção de leitura, como contação de histórias e mostras de livro no DEI (antiga creche da UFG). As mostras, inclusive, incluem visitas de alunos de Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis), que passam o dia no DEI envolvidos em atividades lúdicas e de incentivo à leitura.

 

Gelateratura box

Categorias : extensão Edição 86

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