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VIII Encontro de Botânicos do Centro-Oeste discute desafios para conservação do Cerrado

Atualizado em 24/01/12 08:26.
Alunos, professores e profissionais de botânica e áreas afins reuniram-se para trocar experiências e enriquecer seus conhecimentos

 

Flávia Gomes
Goiânia e Pirenópolis sediaram, entre os dias 26 e 29 de julho, o VIII Encontro de Botânicos do Centro-Oeste (Enboc). Organizado pela Sociedade Botânica do Brasil (SBB) e caracterizado como um dos maiores eventos regionais, o Enboc teve sua primeira edição no ano de 1991 em Brasília. O objetivo do encontro é envolver alunos, professores e pesquisadores de diferentes áreas associadas à biologia vegetal e diversos especialistas, a fim de trocar conhecimento e levantar discussões.
 
Além da SBB, o VIII Enboc foi uma realização conjunta da Universidade Federal de Goiás (UFG), por meio do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) do Câmpus Samambaia em Goiânia e dos Câmpus Jataí e Catalão; da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) e Universidade Estadual de Goiás (UEG) através das unidades de Anápolis e Morrinhos.
 
O tema “Desafios para conservação e manejo da flora do cerrado”,escolhido para esta edição doEnboc, indica o propósito de buscar obter subsídios para estratégias públicas direcionadas para a promoção do conhecimento sobre a flora nativa, o planejamento ambiental e  o desenvolvimento sustentável. Além disso, o encontro teve como foco fortalecer os grupos de pesquisas das universidades, aperfeiçoar os profissionais da área e valorizar os conhecimentos em botânica.
 Com uma programação intensa de minicursos, palestras, simpósios, além de apresentações acadêmicas, o evento, segundo a professora do ICB da UFG e presidente do VIII Enboc, Vera Lúcia Gomes Klein, contribui muito para o enriquecimento de todos os participantes. “É uma oportunidade ímpar para os alunos terem contato direto com professores que antes só eram vistos nos livros de Botânica. Além disso há visibilidade que a universidade ganha perante as organizações de fomento à pesquisa”.
 
Para Vera Lúcia Klein grandes desafios precisam ser superados a fim de que se consiga de fato a preservação do Cerrado. Ela destaca que dominar os conhecimentos a respeito do bioma, evitar queimadas e capacitar profissionais que lidem diretamente com o Cerrado são os principais desafios. Além dessas medidas, ela ressalta que é preciso promover uma educação ambiental capaz de mostrar a todos a importância da conservação do bioma. Essa opinião é compartilhada também pela secretária geral da SBB, Vera Teresinha Rauber Coradin.
 
 Na visão de Vera Coradin, o grande desafio para a conservação é realmente conscientizar as pessoas sobre a importância do bioma. Ela destaca que a comunidade científica tem papel fundamental para conquistar esse desafio. “As instituições de ensino superior têm o dever de aprofundar as pesquisas e divulgá-las, ensinando aos estudantes sobre toda a diversidade existente”, afirmou a secretária geral da SBB. Ela defende a proposta de uma educação ambiental que deve ser iniciada ainda no ensino básico. “Ainda na infância devem ser desenvolvidas atividades para que, desde cedo, as crianças valorizem a diversidade animal e vegetal, pois para preservar é preciso conhecer”, concluiu Vera Coradin. Ela acrescentou que uma nova legislação e a união de todos os órgãos são medidas imprescindíveis para a conservação do Cerrado.
 
Diversos alunos de instituições de ensino superior do Centro-Oeste participaram do evento, contribuindo para a troca de conhecimentos na área de botânica. Estudantes de diferentes períodos de Ciências Biológicas apresentaram trabalhos. Por exemplo, o estudante da UFG Marcos Vinícius Dantas de Queiroz que se dedica à pesquisa direcionada ao ensino da botânica que apresentou um atlas de morfologia on-line voltado para o ensino superior. Cursando o oitavo período, ele considera muito útil participar de um evento como o Enboc. “É importante conhecer novos projetos, estabelecer novos contatos e mostrar meu trabalho. Adquiro, ainda, a experiência em apresentações orais e tenho oportunidade de enriquecer meu currículo.”
 
O interesse em conhecer outras pesquisas e trocar informações sobre métodos utilizados foi o que motivou a bióloga Lígia Sturza Rodrigues a  participar do VIII Enboc. Mestranda do Programa de Pós-Praduação em Biologia Vegetal pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), ela apresentou o trabalho intitulado Fitossociologia de macrófitas aquáticas do Pantanal do Mato Grosso do Sul. No trabalho, Lígia Sturza constatou que apesar da grande diversidade da flora do Pantanal sul-matogrossense, o estudo mostrou que uma baixa variedade de espécies nativas do Pantanal. “A pesquisa revela que é baixa a diversidade nativa do Pantanal porque a maioria das espécies de lá são de outros biomas como, por exemplo, da Mata Atlântica”, explicou a pesquisadora.
 

No encerramento do VIII Enboc, dois professores foram homenageados. O professor Josafá Carlos de Siqueira, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (Puc-RJ) e a falecida professora da Universidade de Brasília (UnB) Jeanine Maria Felfili Fag. Segundo a presidente do VIII Enboc, Vera Lúcia Klein, a homenagem é uma forma de reconhecimento à grande contribuição de ambos os professores para os estudos de botânica.

Veja aqui o conteúdo impresso do Jornal UFG.

Fonte : AscomUFG

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