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Coisas que não se aprende em sala de aula

Projeto de extensão incentiva estudantes a despertarem o papel da Universidade no voluntariado

Extensão engenharia

Caroline Pires

Têm certas coisas que a universidade não é capaz de ensinar e, provavelmente, estas são as experiências mais impactantes para a vida dos alunos. Afinal, antes de ser universitário, cada estudante é um ser humano. Foi esse pressuposto que motivou o professor Emiliano Godoi, da Escola de Engenharia Civil e Ambiental (EECA), a criar, em 2017, o projeto de extensão Aprendendo a Ensinar. O objetivo é convidar estudantes dos cursos de Engenharia a levarem conteúdos de disciplinas da área de Exatas a crianças internadas ou que estão realizando longos tratamentos nas alas de pediatria oncológica do Hospital das Clínicas e Hospital Araújo Jorge, em Goiânia. Mas no projeto, a ação de ensinar é apenas uma peque- na parte de todo o processo, que em última instância proporciona não só a aproximação do ambiente acadêmico com a sociedade, mas traz esperança e sonhos de anos melhores para cada criança atendida.

No segundo semestre de 2017, o projeto contou com a participação de 45 alunos, que garantiam de cinco a oito visitas hospitalares por semana. Para o ano de 2018 a intenção é contagiar outros docentes e professores da Universidade Federal de Goiás para a importância do projeto e fomentar a abertura de novas vagas para participação da comunidade acadêmica. A ação da EECA colabora com a área de Pedagogia Hospitalar, que é mantida em diversas instituições de saúde, com o intuito de garantir a crianças, adolescentes e adultos, que estão em situação especial de saúde, o direito de continuarem seus estudos. Por meio do atendimento pedagógico, que é fundamental para a manutenção da dignidade nos pacientes, os alunos são despertados à conscientização social, sem receber nenhum tipo de contrapartida financeira ou benefício acadêmico.

A participação no trabalho voluntário convida o profissional em formação a ter um outro ponto de vista a respeito de sua vida pessoal e acadêmica, levando-o a uma realidade completamente diferente da que está habituado. "Nosso maior objetivo é formar profissionais capacitados não somente tecnicamente, mas também detentores da boa vontade, compaixão por meio da partilha de conhecimento, amor, carinho e esperança", completa Emiliano Godoi.

O projeto Aprendendo a Ensinar é realizado em parceria e com a orientação do Núcleo de Atendimento Educacional Hospitalar (NAEH) da Secretaria Estadual de Educação. A expectativa é que a cada semestre 180 pessoas sejam atendidas pelo projeto de extensão. Milvo Domenico, aluno do curso de Engenharia Ambiental e Sanitária, considera a sua participação no projeto enriquecedora não só pelo conteúdo ensinado, mas pelo significado para o público atendido. "Nós achamos que vamos ensinar algo para os pacientes, mas saímos aprendendo e impactados por eles", completa.

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Professor Emiliano Godoi (à dir.) com equipe de voluntários e profissionais do Hospital Araújo Jorge

Rede de apoio
A médica Patrícia Brito, que há 23 anos trabalha na área de oncologia pediátrica no Hospital Araújo Jorge, reforça a importância das ações do voluntariado não só para os pacientes, mas também para os pais das crianças que estão em tratamento. Segundo ela, os pacientes atendidos no hospital são de baixa renda, "a grande maioria dos pais tem de abandonar o trabalho e chegam a passar até oito horas diárias no ambulatório para auxiliar no tratamento dos filhos. O voluntariado também é importante para eles".

Já a enfermeira Daniela Melo considera que mais do que as lições de Matemática ou qualquer outro conteúdo didático, os voluntários universitários da UFG incentivam os pacientes a perseverarem nos seus estudos, mesmo diante das adversidades. Daniela conta que as crianças que realizam quimioterapia no ambulatório ficam esperando os voluntários voltarem. "Sem o voluntariado, a equipe médica não conseguiria a abrangência e a adesão dos pais e pacientes ao longo e desgastante tratamento de câncer", concluiu.

Marli Oliveira, assistente social da ala de Pediatria do Hospital, complementa que esse trabalho reforça com o paciente que o tratamento uma hora irá terminar e que ele terá condições de retomar a rotina do dia a dia. "A gente recebe com muito bom grado todo projeto que vem resgatar a normalidade na vida do paciente", reforça. Camila Vilela está acompanhando há um mês seu filho Henrique, de 4 anos, no tratamento de leucemia. "Eu achei que ia ser pior, mas o cuidado de toda a equipe e dos voluntários nos acalma e levanta a nossa autoestima para enfrentar esses próximos dois anos e meio de tratamento", afirmou.

Como funciona?
Milvo Gabriel Prevedello, aluno do terceiro período de Engenharia Ambiental, explica que, antes de exercerem as atividades do projeto, os estudantes passam por um treinamento sobre procedimentos de contato com os pacientes, que envolvem desde questões de higiene a abordagem diante de situações de depressão, sempre prezando pela ética na relação voluntário-paciente. Uma vez capacitados, os participantes determinam, conforme a sua disponibilidade, os dias e horários que serão dedicados ao projeto.

Por meio de um atendimento individualizado eles realizam uma sondagem dos conteúdos que estão sendo aprendidos pelas crianças internadas, sempre com muita sensibilidade e cuidado. Milvo reforça ainda a proximidade física dos hospitais onde o projeto é desenvolvido com unidades acadêmicas da UFG, o que permite que os estudantes possam atuar como voluntários inclusive no intervalo entre as aulas.

Como participar?

- Ser estudante da UFG.
- Participar das reuniões do projeto.
- Conhecer os procedimentos básicos de conduta em ambiente hospitalar.

Fonte : Ascom/UFG

Categorias : Extensão edição 93

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