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Jamelão é matéria-prima para corante natural

Pigmentos naturais do jamelão e da palha de milho roxo são antivirais, anticancerígenos e antioxidantes

Jamelão

Letícia Rocha

Os corantes sintéticos são amplamente utilizados na indústria alimentícia. No entanto, seu uso tem sido apontado como causador de diversos tipos de câncer. É por esse motivo que existe agora uma demanda para sejam substituídos por corantes naturais. Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Goiás (UFG) utilizou o jamelão (Syzygium cumini) e a palha de milho roxo (Zea mayz l.), para extração de pigmentos naturais. A pesquisa também produziu um pudim que tem propriedades antivirais, anticancerígenas e antioxidantes.

Geralmente, a palha do milho, independentemente de sua qualidade, é descartada. No entanto, essa parte do cereal também contém inúmeros nutrientes e pode ser utilizada na produção de outros alimentos. O jamelão, fruta muito comum no centro-oeste goiano, já é conhecida por ajudar a controlar a diabetes e a pressão arterial, mas seus benefícios vão muito além.

Tanto o jamelão quanto a palha de milho podem trazer benefícios à saúde humana. Isso porque são ricos em antocianina, substância presente em frutos e flores de cor roxa ou avermelhada. Esse elemento tem alto poder antioxidante, o que evita danos que possam ser causados pelo excesso de radicais livres e é também anti-inflamatório, antiviral e anticancerígeno.

Bruna Ferreira Dias foi a responsável pela realização da pesquisa, que teve duração de dois anos (2015-2017). Ela destacou a importância da produção de corantes naturais, já que os sintéticos têm sido apontados como causadores de determinados cânceres, como de esôfago, cólon, reto, mama e ovário e quando descartados no meio ambiente demoram um longo período para se degradar. Diferentemente dos sintéticos, os corantes naturais não são tóxicos ao meio ambiente.

Pudim detox
A pesquisadora também desenvolveu uma sobremesa similar a um pudim. Na receita, ela utilizou as farinhas de jamelão e de palha de milho roxo, que foram desenvolvidas no estudo. Os ingredientes utilizados foram: leite em pó, açúcar, farinha de arroz pré-gelatinizada, goma, saborizador (farinha de amora comercial) e água. Vários testes foram realizados até que fosse alcançada a receita adequada. A sobremesa instantânea foi indicada como rica em fibra e alto valor nutricional, além de possuir atividade antioxidante, graças às antocianinas.

Nem a farinha, nem o pudim são desenvolvidos industrialmente, no entanto, caso haja investimentos nesse nicho, os benefícios à saúde são garantidos. Há pesquisas que já foram realizadas para comprovar a efetividade da antocianina. Uma delas, publicada pelo periódico Phytotherapy Research, em 2010, mostrou que ratos que receberam uma dieta composta de 5% de frutas vermelhas não desenvolveram câncer de esôfago, mesmo expostos a um composto cancerígeno.

A substância inclusive já é utilizada no tratamento dessas doenças, através de mudanças e adaptações na dieta alimentar. Alimentos como açaí, uva, berinjela, ameixa seca, morango e repolho roxo são ricos em antocianina e sua ingestão no dia a dia combate inúmeras doenças.

Fitoterapia
A fitoterapia é considerada uma especialidade médica que utiliza plantas para o combate de doenças infecciosas, disfunções metabólicas, doenças alérgicas entre outras. Essa é uma prática antiga, muito utilizada por nossos antepassados, quando ainda não havia meios tecnológicos para a produção de medicamentos farmacêuticos mais elaborados.

O uso dessa terapia tem se tornado a cada dia mais comum para a promoção da saúde, já que as plantas utilizadas, na maioria das vezes, são de fácil acesso para a população. No entanto, é preciso estar atento à automedicação, pois existem plantas que podem ser maléficas à saúde. Algumas, inclusive, contêm substâncias venenosas, como é o caso da planta comigo-ninguém-pode (Dieffenbachia seguine).

Tanto a farinha de jamelão quanto a de palha de milho roxo e a sobremesa instantânea produzida durante a pesquisa podem ser consideradas alimentos fitoterápicos, já que a inclusão desses alimentos na dieta pode trazer inúmeros benefícios à saúde e à prevenção de diversas doenças.

Fonte : Secom/UFG

Categorias : pesquisa Edição 94

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