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Ciência? Com cerveja!

Pela primeira vez em Goiânia, Pint of Science leva cientistas a bares para divulgar seus trabalhos de forma descontraída

Em 2016, 7,3 mil pessoas participaram do evento, em sete cidades brasileiras

Em 2016, 7,3 mil pessoas participaram do evento, em sete cidades brasileiras

 

Texto: Angélica Queiroz | Imagens: Divulgação

Imagine um grande festival de música em que os artistas se apresentam simultaneamente em vários palcos a cada noite. No entanto, em vez de artistas, imagine que há pesquisadores conversando com o público. E, no lugar da música, há Biologia, Computação, Engenharia, Estatística, Filosofia, Física, História, Matemática, Química, Sociologia e muito mais. Esse é o Pint of Science, uma iniciativa que vai unir Brasil, Alemanha, Austrália, Japão, Canadá, Espanha, França, Irlanda, Itália, Tailândia e Reino Unido nos dias 15, 16 e 17 de maio. Serão mais de 100 cidades espalhadas por esses países participando deste que é um dos maiores festivais de divulgação científica do mundo.

Este ano Goiânia participará pela primeira vez do festival, realizado localmente pela Universidade Federal de Goiás (UFG), com a colaboração do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Ecologia, Evolução e Conservação da Biodiversidade. Durante as três noites do festival, a população de Goiânia poderá participar de seis debates (veja box). Em cada local e dia haverá dois cientistas que, após suas apresentações, ficarão disponíveis para perguntas da plateia. Os assuntos escolhidos para esta edição são: paleontologia, evolução humana e conservação da natureza, desenvolvimento de vacinas, física quântica, miniaturização de laboratórios para testes rápidos e nanotecnologia (veja a programação completa ao lado). O evento é gratuito e as pessoas só pagarão o que consumirem nos locais em que ocorrerá cada bate-papo.

De acordo com a coordenadora nacional do evento, Natalia Pasternak, a ciência brasileira enfrenta uma de suas maiores crises de financiamento e credibilidade e, por isso, divulgá-la nunca foi tão importante e tão urgente quanto agora. Para ela, o Pint of Science cria a oportunidade para o estabelecimento de uma comunicação mais informal, descontraída e humana entre os cientistas e a população: “É um momento para nos unirmos e fazermos um brinde à ciência, rompendo todas as fronteiras”, celebra. “O Brasil é o primeiro país sul-americano a fazer parte do festival e o sucesso estrondoso de 2016 mostra que os brasileiros amam ciência e querem realmente matar sua sede de conhecimento”, completa Michael Motskin, diretor e fundador do Pint of Science.


Ciência não é algo chato?

Em cada uma das cidades que realizarão o Pint of Science, existe um grupo de voluntários trabalhando para organizar os diversos bate-
papos com os pesquisadores. Em Goiânia, a programação é coordenada pelo professor do Instituto de Ciências Biológicas da UFG, Adriano Melo. O professor acredita que muito dos problemas que temos poderiam ser resolvidos ou amenizados com governantes e populações mais familiarizados com conceitos científicos. “Ciência é algo fascinante, está no nosso dia a dia e combina muito bem com uma cerveja num bom bar!”

Para Adriano esta será uma excelente oportunidade para entender um pouco mais do que os cientistas fazem na Universidade. “As pessoas poderão conferir desde temas específicos até aqueles bastante amplos e ver que ciência é legal e que os cientistas também vão a bares!”. Ele lembra que, infelizmente, nem todos tivemos boas experiências nas aulas de ciência, mas ela está no nosso dia a dia mesmo quando não a percebemos, por exemplo, em nossos smartphones ou no remédio da farmácia

O professor explica que o Pint of Science é um evento de cientistas para não cientistas. “O objetivo é popularizar a ciência de um modo descontraído”, resume. Segundo ele, as palestras são bastante variadas e envolvem desde assuntos tecnológicos, como o desenvolvimento de testes clínicos em chips de papel com custo muito reduzido até assuntos mais amplos como a evolução humana e como salvar nosso planeta dos danos ambientais. “As palestras terão linguagem acessível para quem não é especialista e oferecerão exemplos sobre como o tema em questão afeta nosso dia a dia”, detalha.

 

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Cientistas não são nerds?

Segundo Adriano Melo o festival vem para ajudar a desfazer o mito de que todos cientistas são nerds. “Alguns cientistas são nerds (e isso não é algo ruim!) e outros arrogantes (isso é muito ruim). Mas a maioria dos cientistas são pessoas divertidas e acessíveis, que gostam de falar do seu trabalho, de encontrar soluções para os problemas da sociedade. Cientistas, como qualquer classe de profissionais, são pessoas normais”, observa.

O doutorando em Ciência da Computação (INF/UFG), Alexandre Barbosa, também participa da comissão local de organização do Pint of Science Goiânia, e considera que o evento possui vários aspectos legais, como esse de levar o cientista para além da universidade, desmistificando aquela figura de cientista que fica trancafiado no laboratório. “Cientistas são pessoas comuns como todos nós, que vão também ao bar tomar cerveja com amigos, e que conversam sobre futebol, política e, claro, ciência!”. Para Alexandre, a realização do Pint of Science em Goiânia pela primeira vez vem para fortalecer a divulgação científica local e contribuir para mostrar a relevância que a ciência tem para o desenvolvimento da sociedade. “Uma sociedade bem informada realiza melhores escolhas. Espero que se torne uma tradição aqui”, afirma.
Como tudo começou

A ideia surgiu quando dois pesquisadores do Imperial College London organizaram um evento chamado Encontro com pesquisadores, em 2012. A experiência resultou na proposta de que pesquisadores saíssem de seus laboratórios para conversar com as pessoas. Nasceu, assim, o Pint of Science, que se espalhou pelo mundo. Em 2015, o evento foi realizado pela primeira vez no Brasil pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP, em São Carlos.

 

pint of science goiânia 2017

Categorias : universidade edição 87

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