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Copiei, e daí?

Presidente do Comitê de Integridade Acadêmica da UFG fala sobre plágio e autoplágio

Tatiana Duque Martins – Presidente do Comitê de Integridade Acadêmica da UFG

O poder destrutivo das más condutas nas atividades acadêmicas não é tão óbvio para a maioria das pessoas. Muitas das más condutas cometidas hoje por pesquisadores e estudantes ocorrem por desconhecimento ou desatenção e, mais importante, sem a intenção. Por isso, o que tenho observado é que, uma vez identificada uma má conduta, ela não é reincidente, é fato aprendido e internalizado. E, o melhor, aquele indivíduo será um multiplicador do conhecimento, orientando seus colegas, culminando na prevenção à má conduta.

No entanto, a maior dificuldade tem sido a prevenção e o combate ao plágio e ao autoplágio, justamente por ser difícil a compreensão dos prejuízos que a simples cópia traz ao desenvolvimento acadêmico. Muitos me perguntam: “mas eu não posso concordar com os argumentos que ouvi? Não posso compartilhá-los?”. O que há de errado em copiar conceitos de significativa contribuição acadêmica? Como essa ação pode prejudicar o desenvolvimento da ciência ou a formação do profissional?

O conhecimento se desenvolve e se perpetua independentemente do autor. Somos apenas instrumentos de que a ciência dispõe para se disseminar e se aprimorar. O que produzimos hoje terá repercussões bem após deixarmos de existir, portanto, nossa responsabilidade para com o produto acadêmico é atemporal. Disseminar o produto de outrem, de modo que seja compreendido como nos pertencendo, descaracteriza todo o contexto em que ele foi desenvolvido e aspectos como as condições de pesquisa, seu contexto cultural e social são equivocadamente propagados e um resultado futuro disto pode ser a destruição daquele conhecimento.

Isso pode ocorrer mesmo quando estamos repetindo nossos próprios resultados. Erros de interpretação quanto, por exemplo, às condições em que aquele dado resultado foi obtido podem levar pesquisas e projetos subsequentes a assumirem como fato informações equivocadas e levarem a resultados errados, configurando sério prejuízo ao desenvolvimento acadêmico. A compreensão do autoplágio como uma má conduta é um desafio, afinal, o autor tende a compreender seu produto como sendo de sua propriedade e, por isso, tem o direito ao seu uso irrestrito. Esse é o erro! Mesmo sendo de nossa autoria, um trabalho anterior deve ser corretamente citado, mesmo pelo próprio autor!

Via de regra, para rechaçar o plágio e o autoplágio, basta que façamos a citação correta dos trabalhos que nos serviram de algum modo, durante o desenvolvimento do nosso trabalho. Para evitar a tentação da cópia, basta que acreditemos em nosso próprio potencial.

A correta citação é a chave para o combate ao plágio. No momento em que a comunidade científica estiver plenamente instruída quanto à importância e à forma correta de citar um trabalho, aí o combate ao plágio se tornará fácil, pois será possível eliminar todos aqueles plágios decorrentes de erros involuntários e, como costumo dizer, chegar à situação ideal em que todos os plágios detectados sejam cometidos com intenção. Nesse momento, punições poderão ser aplicadas sem que injustiças sejam cometidas e, aí sim, elas terão o resultado esperado. Assim, é importante que o acadêmico tenha em mente que “as atitudes baseadas nas escolhas morais e altruístas são, certamente, íntegras” [1]. Boa sorte em sua evitação ao plágio!

[1] Afirmação na apresentação: “Identificação e Prevenção ao plágio e à má conduta em pesquisa, ensino e extensão”. Tatiana Duque Martins, CONPEEX, Outubro de 2015.

Categorias : Caminhos da Pesquisa edição 87 plágio

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